O Desenvolvimento do Apego na Criança -Crianças em idade pré-escolar (5 a 6 anos)

CRIANÇAS EM IDADE PRÉ-ESCOLAR (5 A 6 ANOS)

A tendência entre crianças de idade pré-escolar de atormentar e abusar de um colega, ou para ser abusado e vitimizado, tem correlações com o modelo de apego da criança a seus pais:

    • Crianças com apego seguro não se engajam em abuso e vitimização de colegas nem se deixam vitimizar ou atormentar pelos demais.
    • Crianças com história de apego ansioso evitador têm tendência a se tornarem abusivas, a menos que esteja brincando com um colega que seja mais forte.
    • Crianças com apego ansioso ambivalente são mais vulneráveis e propensas a se tornarem vítimas de abuso.

EXEMPLOS

    • Crianças com histórias de rejeição internalizam um vínculo com dois pólos, o de abusar e ser abusado, e são capazes de exercer os dois. Alguns pares de crianças fazem rodízio na relação sado masoquista (o que é comum entre alguns casais).
    • Pares de crianças resistentes se caracterizam pela imaturidade e incompetência social, mas não por vitimização.
    • Pares de crianças segura/resistente freqüentemente redundavam na criança segura assumir uma postura protetora e diretiva.

Crianças com história de terem sido rejeitadas pelos pais passam a rejeitar ou continuam a ser rejeitados pelos colegas.

CRIANÇAS EM IDADE ESCOLAR – RELACIONAMENTO COM PROFESSORES

Crianças com apego seguro têm relações afetivas e mutuamente respeitosas com os professores, exigem menos controle, precisam de menos proteção e cuidado, seus professores tendem a não abrir exceção para o mau comportamento e tem expectativas elevadas de obediência.

Crianças com apego ambivalente tendem a receber dos professores um alto nível de controle, poucas expectativas de obediência e elevado nível de proteção, tolerância e atenção; esse tratamento confirma a auto-imagem de incompetência que essas crianças têm, desenvolvida na relação com os pais.

Crianças com apego evitador tendem a receber dos professores um alto nível de controle, baixas expectativas de obediência e raiva. Somente crianças com padrão de apego evitador eliciam raiva por parte dos professores.

A relação com os professores reproduz aspectos significativos da relação com os pais. Essas crianças, já na infância, eliciam, em outras pessoas significativas atitudes que reforçam a estrutura psíquica já construída.

 RELACIONAMENTO COM OS PAIS (EM TORNO DE 6 ANOS)


Crianças com apego seguro tratam os pais de maneira íntima, amorosa, relaxada e espontânea; conversam de modo livre e fluido, expressam afetos, falando sobre temas variados, inclusive pessoais e sentimentais; a criança e a mãe são livres para explorar o que sentem e o que pensam.

Crianças com apego ansioso resistente demonstram insegurança, tristeza e medo e oscilam entre buscar intimidade e agredir os pais de maneira sutil ou explícita. Algumas são autoconscientes tentando parecer boazinhas e charmosas, agradando sedutoramente para não ser rejeitadas; as conversas são fragmentadas, com mudanças súbitas de assunto, como se não fosse permitido falar de certas coisas.

Crianças com apego ansioso evitador mantêm os pais à distância, não buscam intimidade, ignoram as iniciativas paternas, mantendo-se interessadas num brinquedo; as conversas são sempre impessoais, limitadas a alguns assuntos, sem referência a sentimentos.

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Madalena Borges

ESPECIALISTA EM CASAIS E FAMILIA PELA UNIFESP, ESPECIALISTA EM SEXUALIDADE HUMANA PELA USP, ANALISTA PSICODRAMÁTICA PELA EPP. madalena@socorropsiquico.com.br

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