Sentimento e Emoções

Uma das lições mais importantes que as pessoas precisam aprender é que seus sentimentos são sempre sobre elas mesmas, são revelações de suas necessidades de, por exemplo: serem amadas, afirmadas, sustentadas, acolhidas, ouvidas ou elogiadas.

Aprender que os sentimentos são sobre você, perceber suas emoções e sentimentos como algo que faz parte de sua essência, que não tem conotação positiva ou negativa, facilita assumir responsabilidade sobre o que se sente, sem ficar criando raivas, mágoas e ressentimentos.

Ter consciência disto evita ou ameniza inúmeros desentendimentos. Ouço com muita frequência pessoas reclamarem que estão se sentindo de determinado modo, por causa do outro, delegando para o outro a responsabilidade por seus sentimentos.

Aprender sobre sentimentos e emoções nas relações dentro da família de origem, quando se é criança, é muito importante e é determinante na definição da forma como a pessoa vai lidar com eles na vida adulta.

As emoções são eventos corporais, são movimentos ou impulsos de dentro do corpo que, geralmente, resultam em alguma ação externa. A quantidade de energia que uma pessoa tem e o modo como a usa vão determinar e refletir sua personalidade. Por exemplo; uma pessoa impulsiva não consegue conter qualquer aumento no seu nível de excitação ou energia e deve descarrega-la o mais rápido possível, já o individuo rígido contém a expressão de sua energia, contendo seus movimentos e comportamento.

FIQUE ATENTO AS SUAS EMOÇÕES

Para acompanhar as nossas emoções e interessante conhecer o caminho da energia corporal nas emoções básicas.

Na raiva, a energia flui para os músculos e para as mãos, acompanhada de descarga de hormônios, o que prepara o organismo para ações fortes e vigorosas.

No prazer e na felicidade, há uma expansão geral da energia, e ela flui para a superfície da pele, dando uma sensação de tranquilidade e deixando o organismo disponível.

Na ansiedade, há uma contração da energia, e o fluxo dirige-se para dentro do organismo, para os órgãos internos. Nas situações de aspiração ou desejo, o fluxo da energia vai para o peito e para os braços, mas também para pélvis boca e olhos.

Na tristeza, o organismo todo se contrai, diminuindo o fluxo energético. Esse caminho de energia e emoção pode ser percebido pelo calor, pela cor, pelo enrijecimento ou relaxamento do corpo. Saber identificar e lidar com eles ajuda muito no manejo das emoções básicas. E possibilita que a pessoa nos momentos de tensão, tenha maior discernimento sobre seus próprios desejos e dificuldades.

ENTENDA MELHOR A RAIVA

A raiva é uma reação emocional e fisiológica básica contra a interferência na busca de uma meta desejada. Faz parte do movimento saudável e autorregulador. É uma das reações emocionais que sofre maior repressão. Isto acontece porque as pessoas tem dificuldade em lidar com a expressão da própria raiva, e também pelo medo de que a agressividade se transforme em violência e saia do controle.

Sentir raiva é normal e inevitável. Porém, a raiva pode ser expressa de formas aceitáveis, como por exemplo; falar de forma enfática sobre o que nos deixou com raiva e inaceitáveis, como por exemplo; se expressar de forma que machuque o outro fisicamente ou com palavras que depreciem, humilhem e desrespeitem.

O importante é tentar bloquear as reações inaceitáveis e descobrir alternativas aceitáveis como parte do processo de uma comunicação eficaz e do desenvolvimento humano.

Existem muitos outros sentimentos que acompanham a raiva e ficam camuflados pela própria raiva, comportamentos agressivos podem encobrir tristeza, sentimentos de rejeição, necessidade de diferenciação, medo de dominação, e baixa tolerância a frustração. Aprender a controlar e tornar sua raiva civilizada, possibilita que os “encontros agressivos” ou discussões, possam ser criativos e produtivos, ao invés de destrutivos.

É preciso tomar conta da raiva antes que ela tome conta da gente”

E importante assumir a responsabilidade pelos próprios destemperos, sem acusar os outros que os provocaram, ou justificar pelo seu temperamento. Aprender a expressar sua contrariedade sem ofender, humilhar ou depreciar o outro é um sinal de desenvolvimento emocional e relacional.

A raiva se transforma em violência quando não se consegue transformar o conflito em acordos construtivos; nestes casos a energia mobilizada pelo conflito é usada de modo destrutivo.

ENTENDA MELHOR A REJEIÇÃO

Todos aprendemos a lidar com questões relacionais básicas em nossa família de origem. Essas aprendizagens ficam inseridas no funcionamento de cada pessoa, ainda que ela tenha pouca ou nenhuma consciência disso. Não aprendemos em nossa infância que rejeição é um aspecto relacional inevitável e importante.

Geralmente se transmite que a rejeição é uma coisa ruim, que fere e machuca e, portanto, deve ser evitada. O resultado é que as pessoas chegam à vida adulta com muito receio de serem rejeitadas e de rejeitar também. Se, no entanto, aprenderem que esses sentimentos são naturais e que não encobrem maldade, safadeza ou desamor, terão mais chance de se relacionar melhor e sem tanto receio de lidarem com a rejeição.

Se compreendermos a rejeição como um sentimento natural, saberemos que quando formos rejeitados o outro estará apenas querendo ficar só, dedicar-se a alguma atividade individualmente, ou refletindo sobre algo, ou revendo situações da própria vida. Assim rejeitar e ser rejeitado serão só mais alguns aspectos da relação, que poderão ser discutidos abertamente.

ENTENDA MELHOR A CULPA

É um dos sentimentos mais comuns da nossa cultura. Ela é produto da cultura e dos valores que a caracterizam. Para remover o sentimento de culpa é necessário primeiro que ele se torne consciente. Muitos processos de culpa são inconscientes.

Alguns autores dizem que o sentimento original de culpa surge da sensação de não se sentir amado. A única explicação que a criança tem para a rejeição dos pais é de que fez algo errado; dessa forma, entra numa corrida de querer agradar e, para isso, faz muitas coisas que não atingem o objetivo, geram mais culpa e aumentam a sensação de não ser amado.

A culpa cria um círculo vicioso difícil de ser quebrado, e que funciona mais ou menos assim do ponto de vista da psicologia sistêmica:

Todos os atos geram uma reação das pessoas envolvidas,

Quando tais atos desencadeiam resultados não desejados ou não aprovados, as pessoas reagem criticando, cobrando do autor da ação,

Se a pessoa, que foi o autor da ação, devolver a cobrança, atacando os outros envolvidos, acusando alguém, esquivando-se de assumir seus atos, desencadeará um processo crescente de culpabilizações, no qual cada envolvido, compulsivamente também atacará e culpará o outro.

O processo contrário à culpa é o desenvolvimento da responsabilidade por seus atos e ações e escolha de novos comportamentos, pelos quais se responsabiliza em qualquer circunstância, dessa forma, cria um circulo de escolhas e se responsabiliza por elas.

Em nossa experiencia de consultório, vemos muitos casais neste círculo vicioso e destrutivo, a psicoterapia ajuda a clarificar e desmontar esse processo aliviando a culpa e a tensão nos relacionamentos.

ENTENDA MELHOR A TRISTEZA

A tristeza é um sentimento natural e é inevitável ao longo da vida e até mesmo necessário. É a forma que as pessoas tem de digerir suas frustrações, suas perdas e suas incompetências.

Temos a expectativa de que tudo sempre dará certo, mas, quando as situações não saem conforme nossa expectativa, temos que lidar com a nossa frustração, este sentimento é natural e esperado, mas nem todas as pessoas conseguem digerir situações frustrantes de forma satisfatória.

Da mesma forma para muitas pessoas lidar com perdas é muito desestruturante, sejam perdas de pessoas, de bens, perda da saúde, perda de emprego entre outras. A elaboração dessas situações é fundamental para que a pessoa possa passar por essa fase e dar continuidade a sua rotina.

Muitas vezes a tristeza passa despercebida e a pessoa não se dá conta do que está acontecendo com ela e não investe tempo na elaboração das situações que desencadearam a tristeza.  É importante percebe-la e expressá-la, seja chorando, seja ficando quieto, seja falando sobre ela.

A tristeza pode começar leve, como uma tristeza coerente, mas se não elaborada adequadamente pode chegar a níveis alarmantes e se transformar em depressão.

Se você se percebe nesta situação, procure um profissional.

Referencias: Brigas na Família e no Casal, Solange Maria Rosset

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Madalena Borges

Madalena Borges

ESPECIALISTA EM CASAIS E FAMILIA PELA UNIFESP, ESPECIALISTA EM SEXUALIDADE HUMANA PELA USP, ANALISTA PSICODRAMÁTICA PELA EPP. madalena@socorropsiquico.com.br

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