Como se desenvolvem os vínculos nas relações amorosas

1. VÍNCULO AMOROSO

Caracteriza-se pela atração erotizada entre os parceiros e é responsável pela sensação de encantamento e sustenta a relação de amor. O vínculo amoroso se instala a partir de um foco de atração que desencadeia uma paixão ou uma sensação de encantamento. É uma sensação de ter encontrado a alma gêmea.

No estado de paixão ou encantamento a pessoa amada tende a ser vista e sentida como perfeita. Preenche todas as lacunas psíquicas e afetivas do parceiro. Existe uma forte carga de admiração pela pessoa amada. A admiração é um sentimento diretamente ligado a erotização. 
Um estado de encantamento faz as pessoas se sentirem como almas gêmeas, sensação de intensa cumplicidade.

A evolução do estado de encantamento e de paixão dentro do vínculo amoroso, passa necessariamente por uma fase de decepção, desencanto e frustração, quando vão sendo observados os traços de personalidade menos nobres ou traços neuróticos dos parceiros.

2. Vínculo Compensatório

No início do namoro ou casamento os parceiros já têm seus vínculos compensatórios ou simbióticos assentados em outras pessoas ou objetos. Com a convivência e intimidade do casal, a tendência é a de ir se transferindo para o parceiro as funções que estavam delegadas para outras pessoas ou objetos.

É desta maneira que se instalam os vínculos compensatórios na relação conjugal: os parceiros começam a delegar um ao outro as responsabilidades de determinadas funções (cuidar, julgar e orientar), que não têm nada a ver com as divisões de tarefas e responsabilidades cotidianas do casamento.

As funções delegadas já estavam sendo complementadas por outras pessoas, coisas, ideologias, religiões, etc., antes do casamento.

Com o tempo, esse tipo de vínculo vai criando um estado de permanente tensão: é quase impossível que o outro complemente uma função da forma que o indivíduo que delega, deseja. Se o casal não se dá conta dessa situação e não trata de forma conveniente esses vínculos compensatórios, a tensão tende a crescer e passa a ser seguida de cobranças e acusações mútuas de má vontade, negligência e até falta de amor.

3. Vínculo de conveniência

São os vínculos baseados nas relações de interesse que acontecem entre os parceiros numa relação conjugal; podem ser financeiros, econômicos, sociais, comerciais, políticos, profissionais, familiares, etc., ou são utilizados para “sair de casa”, “ter um filho”, conseguir visto para morar em país estrangeiro”, etc.

Interesses fazem parte de qualquer relação e não são conflitantes em relação à presença ou ausência de amor. Podem ser divididos em três grandes grupos:

  1. A conveniência é explícita e é a própria causa do casamento ou união, os parceiros estão cientes das condições estabelecidas na relação.
  2. A conveniência é encoberta e pode ser ou não a causa do casamento, quando os parceiros não declaram um ao outro os reais motivos da união.
  3. A conveniência se estrutura ao longo da vida a dois, vão se estabelecendo novos parâmetros para a relação, à medida que o casal vai vivenciando novas situações, como por exemplo: a perda e ou acumulo de bens, doenças crônicas ou que dificultam a relação, novos integrantes na família, entre muitos outros fatores.

Fontes: Vinculo conjugal na análise psicodramática: diagnóstico estrutural dos casamentos / Vitor R.C.S.Dias -São Paulo: Ágora, 2000.

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Madalena Borges

Madalena Borges

ESPECIALISTA EM CASAIS E FAMILIA PELA UNIFESP, ESPECIALISTA EM SEXUALIDADE HUMANA PELA USP, ANALISTA PSICODRAMÁTICA PELA EPP. madalena@socorropsiquico.com.br

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