Intimidade

Você já ouviu falar em intimidade, você tem intimidade com o seu parceiro(a) conseguem se entender pelo olhar ou pelos gestos um do outro?
Intimidade é ler os olhos, os lábios e as mãos de quem está com você. intimidade é não ter vergonha de ser o que se é, não precisar explicar coisa alguma.
Intimidade é não precisar verbalizar tudo o que pensa; é aceitar a solidão do outro; é estarem familiarizados com o silêncio de cada um, é não precisar ser coerente em todas as atitudes. Aceitar o silêncio com tranquilidade e como parte do processo de convivência e intimidade, sem qualquer constrangimento, ficar em silêncio na presença do outro e se sentir totalmente à vontade, revela um bom nível de intimidade.
Intimidade é uma forte e intensa conexão entre duas pessoas. Pessoas intimas se importam profundamente uma com a outra. As pessoas intimas desenvolvem um diálogo constante e permanente, conversam sobre tudo e principalmente sobre si mesmas, o que pensam sobre si mesmas e o que pensam uma do outra, sem melindres ou mal entendidos. Investem tempo em si mesmas e na sua relação com o outro.
Não deixam nada debaixo do tapete, exploram os assuntos e temas mais difíceis, sem medo de julgamento ou críticas. As críticas são aceitas e discutidas à luz da intimidade, com abertura e acolhimento mutuo. As discussões são aceitáveis e provocam uma melhoria na relação, os atritos são superados com aceitação e compreensão.
Quanto maior a intimidade entre duas pessoas, mais vezes elas se revezam na tarefa de expressar suas opiniões com liberdade. E muitas vezes isso gera discussões e desentendimentos. Mas sabem que serão compreendidos e que podem discutir sabendo que nada irá se romper entre eles.

BRIGAS NO CASAL

É comum ouvir que casais que se amam não brigam. Isto não é verdade! Brigas existem nas melhores e nas piores relações. As brigas podem ser enriquecedoras, elas são uma forma de os parceiros mostrarem as suas características e seus potenciais e também de defenderem a privacidade e a individualidade. Posicionamentos pessoais são importantes, pois revelam crenças e opiniões próprias e visam defender ideias e posturas frente a determinados assuntos, são muito validas nas discussões do casal, porque permitem que os casais se conheçam mais a cada discussão. Não há receita para se manter uma relação feliz, mas parceiros que se propõem a aprender e a crescer juntos, com certeza serão capazes de criar novas formas de lidar com as discussões e as suas possíveis consequências. Ao descobrir que nem sempre as brigas são desastrosas, e que podem até ser úteis, é provável que comecem a usá-las de maneira construtiva. Quantas vezes após uma discussão ouvimos os casais comentarem que estão aliviados de ter falado o que estavam pensando e também de ouvirem o que o outro tinha para dizer. Nossa experiencia de consultório nos mostra o quanto é produtivo uma boa discussão, bem direcionada e focada, levando os parceiros a focarem no objeto da discussão, sem ataques pessoais ou ofensas, quanto mais focada é a discussão melhores resultados se obtém. As brigas podem ser perigosas quando o casal se envolve na beligerância de atacar/defender, instrumentar/arranjar argumentos, que podem perder de vista o bem estar da relação. Este tipo de briga, pode ser desastrosa e inútil, deixando marcas de dor, magoas e desgaste na relação. Se você percebe que sua relação está desgastada com brigas e discussões improdutivas, procure um profissional de saúde mental.

BRIGAS FUNCIONAIS

Depois de cada discussão, ao baixar a poeira, o casal pode sentar e conversar sobre o ocorrido, já longe do calor da discussão as ideias estão mais claras e as emoções controladas, facilitando o dialogo e a compreensão do ocorrido. Para que as brigas sejam uteis, os parceiros precisam desenvolver algumas habilidades;
  • Aprender a expressar a raiva sem atacar o parceiro destrutivamente;
  • Não aplicar “golpes baixos” como por exemplo; se utilizar de pessoas próximas para ofender ou criticar o outro, usar os pais/irmãos/amigos como exemplos para ofender o outro;
  • Focar na situação problema em discussão, não desenterrar assuntos do passado, que só deslocam a atenção e atrapalham ainda mais a discussão;
  • Evitar despejar sobre o companheiro queixas e frustrações acumuladas, aprender a lidar com as próprias frustrações faz parte do processo evolutivo de cada um;
  • Saber expressar seus sentimentos e não acusações, lembre-se os sentimentos são seus;
  • Fazer apenas críticas positivas e construtivas, a ideia é evoluir no diálogo;
  • Saber ouvir e reconhecer o que o seu parceiro acabou de falar, em vez de argumentar logo em contrário, invalidando o que acabou de ouvir;
A consciência de que cada um pode cometer erros e descontrolar-se, vai ajudar ambos a se recuperar das brigas. Isso pode ser feito por meio de dialogo sobre o modo como os dois cometem erros e os efeitos que produzem um no outro.

APRENDENDO A BRIGAR

Como as brigas são inevitáveis o casal deve treinar afim de buscar maneiras mais adequadas para quando elas ocorrerem. Uma forma civilizada de dar um bom andamento as discussões e se atentar a alguns detalhes nessas ocasiões:
  • Durante uma discussão o ideal é não fazer perguntas usando “por que”, este tipo de pergunta pode significar censura, inquisição, confronto, o que não ajuda em nada, muito pelo contrário;
  • Quando de uma discussão ter em mente o tema/assunto que está em pauta, trazer outros assuntos que também atrapalham a relação, tira o foco e desestrutura a questão que está sendo o motivo da briga;
  • Não trazer assuntos do passado, o que importa é o que está sendo discutido no momento, levantar hipóteses do que poderia ou não ter acontecido, se um ou outro tivessem tido uma atitude diferente no passado, só atrapalha e desloca a energia do problema em questão, complicando ainda mais a situação;
  • Procurar não interromper, dando oportunidade á outra pessoa de terminar seu pensamento, sem pressa, criando assim, um clima de escuta e fala, entre os parceiros.
É importante ressaltar que sempre haverá a possibilidade de um dos parceiros explodir, portanto, em vez de se dedicar inteiramente a evitar as brigas, use as dicas acima para desenvolver a habilidade de se recobrar e tornar as brigas produtivas. Aprender a ter uma briga de casal mais funcional aprofunda o relacionamento e aumenta a intimidade e a cumplicidade dos envolvidos.

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Madalena Borges

ESPECIALISTA EM CASAIS E FAMILIA PELA UNIFESP, ESPECIALISTA EM SEXUALIDADE HUMANA PELA USP, ANALISTA PSICODRAMÁTICA PELA EPP. madalena@socorropsiquico.com.br

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